LEMBRANÇAS DA MINHA VIDA

sábado, 25 de julho de 2009

ETAPAS DA MINHA VIDA: A TRANSFORMAÇÃO DO BAIRRO

FOTO: um das casa da fazendo Ouro Verde, Bairro do Queixadinha
No começo da década de 1960, o campo era a morada de grande parte da população de Bariri. O café, milho, arroz, mamona, feijão, cana-de-açúcar ,em pequena quantidade, eram os principais produtos agrícolas da região. A criação de gado, porcos e a avicultura eram outras fontes de riquezas do local. O Bairro do Queixadinha era recortado por inúmeras fazendas e sítios.
Meus pais, Antonio e Alzira, foram sempre trabalhadores da região baririense, mas a partir da década de 1960, fixou morada no Bairro do Queixadinha, onde viveu por vinte anos. Só saindo desta localidade em 1980, quando passou a residir na cidade, atendendo aos pedidos dos filhos: Grimaldo, Francisco,Luzia, Edson, Donizete e também, mas com pouca influência, o José.
Portanto, vivi a minha infância e adolescência naquele bairro, o Queixadinha. Na época, lembro-me muito bem, os lazeres eram praticados em torno do jogo de futebol. Em todas as fazendas existiam campos para a prática desse esporte. Diariamente no final do dia era realizada a pelada e durante os domingos, em grandes concentrações em uma só fazenda, com campeonatos.
Como citei acima, o bairro era recortado por fazendas. Uma delas era composta por venda, campo de futebol, campo de bocha, jogos de carta, (...). Durante os dias da semana havia, no período noturno, a oração do terço, semanalmente encontros religiosos e mensalmente a celebração da missa na capela local. Nas noites de sábado, eram realizados brincadeiras dançantes e bailes. As grandes festas aconteciam com os casamentos, nas orações festivas dos santos juninos, serenatas, natal, ano novo, festas dos reis, (...).
Na década de 1960 não havia a televisão, este só chegou a partir de 1970, sendo adquiridas por alguns fazendeiros e causando uma transformação radical no relacionamento dos moradores. Recordo-me muito bem do acontecido, pois a chegada da TV ocorreu em 1970, ano da copa do mundo no México, em que o Brasil sagrou-se tricampeão. A partir de sua chegada, o lazer ganhou outra atividade. Inicialmente, as pessoas que não tinham TV, freqüentam as casas dos amigos para acompanhar os programas, principalmente as novelas. Por aí, percebe-se que os encontros dos lazeres e festas tradicionais, como a oração do terço diária passou a ter menos freqüência e os encontros prejudicados. Na década de 1970 praticamente todas as famílias compraram televisão e vida social no Bairro do Queixadinha não foi mais o mesmo.
Essas são lembranças da minha infância e adolescência e parte da história da minha vida que recordo com muita saudade.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

MARIA FALOU-ME NUM SONHO

No final de minha adolescência foi convidado e aceitei participar do TLC, um curso de liderança cristã, próprio para jovens. O curso trouxe muitas coisas positivas, por ter sido diferente de tudo que tinha participado à nível de convivência com outros jovens. Nesse encontro sentia que os garotos e garotas se respeitavam nos abraços constantemente, sempre no sentido de desejar ao outra algo de bom, com a paz, um dia feliz ...Muitos jovens me emocionavam pelo que falavam e as orações que faziam. Uma das garotas em particular, a Amelinha, mostrava muita sensibilidade confiança em suas orações, o que me causava admiração e também levava-me a querer ter mais intimidade com a oração, a semelhança do que ela fazia.Mesmo depois do curso continuei a freqüentar os encontros de jovens e minha admiração por aqueles rapazes continuou, visto que tinham um conhecimento que eu passei a lutar para conseguir. Estava vivendo num momento de afirmação de minha fé. Tudo era motivo para eu questionar e aceitar desafios para fazer um experiência com Deus, a exemplo dos jovens que escutava falar nas reuniões. Para mim era intrigante saber que tantas pessoas falavam abertamente do que Deus realizava em suas vidas e não percebia esses acontecimentos na minha.Em uma noite, do ano de 1978, quando cheguei em casa, da cidade, morava na época no Bairro do Queixadinha, zona rural de Bariri, fui até as estrelas para rezar, era um costume que tinha antes de ir dormir. Fiz a Deus um pedido para que Maria, sua Mãe, se comunicasse comigo num sonho durante aquela semana, em troca passaria a rezar sempre o terço. Mas sua aparição deveria acontecer naquela semana.Hoje esse fato parece infantil, mas no contexto de minha vida daquela época foi uma experiência marcante na minha vida de cristão.O que aconteceu de fato, é que os dias da semana foram passando. As minhas orações eram constantes, diante das estrelas do céu. Todas os dias antes de dormir, ia até o quintal levantava os meus olhos para o céu e observava as estrelas como se olhasse para o próprio Deus e confirmava os meus propósitos.Na sexta feira, penúltimo dia do prazo para a realização do meu pedido. Antes de ir para cama dormir voltei a rezar e confirmei a minha intenção de receber no sonho a visitação de Maria. Como não conseguia pegar no sono, naquela noite,voltei às estrelas para rezar novamente, mas desta vez para solicitar a Deus que não havia necessidade de sua Mãe aparecer. Disse que não alteraria a minha confiança em Deus e Nela, afirmei também que passaria rezar constantemente o terço para agradecer e pedir as bênçãos de Deus.Entretanto, naquela noite sonhei que minha amiga Amelinha veio me visitar. Chegou num carro muito luxuoso. Estava acompanha de motorista. Desceu e sem nenhum tipo de receio entrou na minha casa, que era mais simples do na vida real. Sentamos na sala. Conversamos durante um tempo, que eu no sei precisar agora. Até que ela perguntou-me sobre a hora e para informá-la olhei para o relógio que estava num espécie de balcão de vidro. Não consegui ver o horário porque o relógio emitiu raios de luzes douradas e no seu interior aparecer uma imagem de Nossa Senhora. Recordo-me depois que fomos andar no quintal de minha casa. Em seguido fomos almoçar. O almoço estava servido na sala. Encontrava-se presente toda minha família mais o meu avô materno. Em determinado momento a minha amiga, Amelinha, perguntou se o meu avô não ia tirar o chapei para Nossa Senhora, que estava no canto da sala. Na verdade uma imagem grande de Nossa Senhora Aparecida.No dia seguinte,um sábado, foi fazer compra para casa, era rotina da família. Aproveitei para contar a uma amiga o que tinha acontecido comigo na semana e ela me disse que Maria havia aparecido para mim só que em forma de imagem e que Deus Havia atendido o meu pedido.Aquele acontecimento veio a receber muitas interpretações diferentes ao longo de minha vida. Mas a mais intrigante foi a dada pelo seminarista Edson Luís Almeida, quando estudávamos juntos no Seminário de São Carlos. Ele me disse, gosto de interpretar sonhos, conte-me o seu. Ao tomar conhecimento do sonho, disse que Maria visitou-me naquela noite de 1978 em pessoa. Para ele a amigo que veio me visitar representava Maria. O carro luxuoso representava a riqueza espiritual de Maria. O fato de ter sido aquela amiga, a Amelinha, estava ligado com a admiração e singeleza que sentia em sua pessoa quando fazia suas orações, nos encontros do grupo de jovens.A verdade é que esse acontecimento ficou marcado em minhas lembranças com uma linda experiência com Deus.

sábado, 31 de janeiro de 2009

FORMATURA DE 2003

Acredito que a vida de todas as pessoas é marcada por acontecimentos que dão sustentação para as conquistas futuras. Um desses momentos ocorreu comigo no ano de 1983, quando terminei o colegial, hoje o ensino médio.
Meus pais não tinham a compreensão de que o estudo poderia mudar o futuro de seus filhos. Por isso, quando terminei o ensino fundamental, também não tive inspiração para continuar a estudar. Foi somente no final de minha adolescência, quando o impacto da falta de estudo falou mais alto, voltei aos estudos e com força suficiente para recuperar os anos parados. Foi nessa época que comecei a freqüentar os grupos de jovens e as maneiras como as lideranças falavam, evidenciou o quanto eu necessitava de estudos. Além do mais muitos questionamentos a respeito da vida e de Deus passaram a me importunar e eu acreditava que os estudos me dariam as respostas. Sendo assim, virei um autodidata e passei consumir livros. Até que o padre Morales, pároco da Igreja Nossa Senhora das Dores que freqüentava, me orientou a entrar no seminário. Acreditando que lá receberia a formação para responder aos meus questionamentos adquirindo os conhecimentos de que precisava, aceitei o desafio.
Foi aceito no seminário de são Carlos pelo simples fato de ter uma busca profundo, um ideal. No seminário, disse o padre reitor José Antonio Tosi Marques, é para quem busca um caminho de felicidade. O sacerdócio é um desses caminhos. Se ele lhe fizer feliz poderá se tornar um presbítero. Disse-me ainda que o seminário me formaria para a vida. Quando ao caminho a seguir, eu decidiria na hora que eu estivesse preparado.
Entre os grandes momentos de alegria e de realização, essas fotos lembram-me da mais importante: a conclusão do colegial, no colégio Diocesano La Salle de São Carlos. Ele deu-me a base para as minhas conquistas futuras. Aquele garoto que não sentia inspiração para continuar os estudos, agora se vê em condições de trilhar novos cominhos e escolher o que levaria ser um profissional escolhido pela sua própria vontade. Também, os questionamentos sobre Deus e sobre a vida, ficaram mais fáceis de serem compreendidas.

quinta-feira, 20 de março de 2008

LEMBRANÇAS DA MINHA VIDA


Esse acontecimento ocorreu no a Bairro do Queixadinha, local onde morava até o início de minha juventude. Eu era bem criança, tinha nove anos de idade e estava na terceira série do ensino fundamental. Foi por esses tempos, que eu e meu amigo Paulo fomos visitar a sua avó, que morava num bairro visinho. Uma distância de aproximadamente três Km.
Lembro-me que foi de manhã que o Paulo Bueno, meu amigo de escola, chegou à minha casa e convidou-me para ir com ele até a casa de sua avó, levar algumas coisas à pedido do pai . E que hoje não me recordo do que se tratava.
Saímos de manhã, fomos à pé. Era comum naquele tempo andar essas distâncias. O caminho até a casa da avó do meu amigo seria bem mais curto se atravessássemos a fazendo Ouro Fino. Mas não fizemos essa opção, devido ao perigo dos cães e vacas que encontraríamos pelo caminho. O trajeto seguimo foi o da estrado central que ligava o Queixada ao Queixadinha. Apesar da maior distância, era mais seguro. E por lá fomos.
Almoçamos, nesse dia, na avó do Paulo. Depois de um certo tempo, iniciamos nosso retorno.
Foi nessa andança que nos aconteceu um episódio fora do comum. Até parece que estávamos sonhado, mas foi pura realidade o que se sucedeu naquela tarde comigo e com o meu amigo. Estávamos atravessando a fazenda Ouro Fino. Pela estrada central, onde não tinha os perigos das vacas e cachorros. Do nosso lado direito havia cerca de arame farpado e do nosso lado esquerdo, um matagal composto quase só de ranha-gatos. Para quem não conhece. São árvores finas cheias de espinhos, muito difícil de ser atravessadas. Foi nesse local, que eu e o Paulo avistamos, a uma lonjura de aproximadamente cem metros. uma carrocinha, bem pequena, sendo puxado por dois burrinhos. Também muito pequenos, e sobre a carroça dois homens bem pequeninos. Aquele tamanha de carroça, de burros e de gente não existiam em nossa localidade. Mas até aí tudo bem. O que nos assustou foi quando a carroça começou a andar em zigue-zagua, trançando por toda a estrada e subitamente tombou, caindo do lado dos ranha-gatos e desapareceu. Entrar no moto não era possível. Não tinha nenhum tipo de entrado ali.
O susto em meu amigo e em mim foi tão grande que saímos correndo. Passamos por baixo da cerca e atravessamos a fazenda Ouro Fino sem receio dos cachorros e das vacas.
Eu, e também meu amigo, relatei esse acontecimento a meu pai. Não me recordo de sua resposta. Mas lembro-me dos que falaram as outras pessoas adultas a qual também descrevi o acontecido. É sombração, disseram.
Quando estudava no seminário, em são Carlos, os padres a qual contei sobre o acontecimento, foram unânimes em explicar que esse fenômeno pode ter ocorrido sim, mas que teria sido criado pela minha mente, fruto do medo e de tantas história desse tipo que tínhamos em mente naquela época e aceita como verdade. A dificuldade de aceitar essa tese, é que não só eu vi a carrocinha, os burrinhos e os homenzinhos. Meu amigo Paulo Bueno também viu.
Esse acontecimento permanece vivo em minhas lembranças. Hoje tenho comigo a certeza de que aquele episódio foi real. Mas minha razão não encontra explicação lógica para esse tipo de acontecimento.

Quem sou eu

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Professor titular de História e Filosofia das redes públicas do Estado de SP e Município de Bariri.