
Esse acontecimento ocorreu no a Bairro do Queixadinha, local onde morava até o início de minha juventude. Eu era bem criança, tinha nove anos de idade e estava na terceira série do ensino fundamental. Foi por esses tempos, que eu e meu amigo Paulo fomos visitar a sua avó, que morava num bairro visinho. Uma distância de aproximadamente três Km.
Lembro-me que foi de manhã que o Paulo Bueno, meu amigo de escola, chegou à minha casa e convidou-me para ir com ele até a casa de sua avó, levar algumas coisas à pedido do pai . E que hoje não me recordo do que se tratava.
Saímos de manhã, fomos à pé. Era comum naquele tempo andar essas distâncias. O caminho até a casa da avó do meu amigo seria bem mais curto se atravessássemos a fazendo Ouro Fino. Mas não fizemos essa opção, devido ao perigo dos cães e vacas que encontraríamos pelo caminho. O trajeto seguimo foi o da estrado central que ligava o Queixada ao Queixadinha. Apesar da maior distância, era mais seguro. E por lá fomos.
Almoçamos, nesse dia, na avó do Paulo. Depois de um certo tempo, iniciamos nosso retorno.
Foi nessa andança que nos aconteceu um episódio fora do comum. Até parece que estávamos sonhado, mas foi pura realidade o que se sucedeu naquela tarde comigo e com o meu amigo. Estávamos atravessando a fazenda Ouro Fino. Pela estrada central, onde não tinha os perigos das vacas e cachorros. Do nosso lado direito havia cerca de arame farpado e do nosso lado esquerdo, um matagal composto quase só de ranha-gatos. Para quem não conhece. São árvores finas cheias de espinhos, muito difícil de ser atravessadas. Foi nesse local, que eu e o Paulo avistamos, a uma lonjura de aproximadamente cem metros. uma carrocinha, bem pequena, sendo puxado por dois burrinhos. Também muito pequenos, e sobre a carroça dois homens bem pequeninos. Aquele tamanha de carroça, de burros e de gente não existiam em nossa localidade. Mas até aí tudo bem. O que nos assustou foi quando a carroça começou a andar em zigue-zagua, trançando por toda a estrada e subitamente tombou, caindo do lado dos ranha-gatos e desapareceu. Entrar no moto não era possível. Não tinha nenhum tipo de entrado ali.
O susto em meu amigo e em mim foi tão grande que saímos correndo. Passamos por baixo da cerca e atravessamos a fazenda Ouro Fino sem receio dos cachorros e das vacas.
Eu, e também meu amigo, relatei esse acontecimento a meu pai. Não me recordo de sua resposta. Mas lembro-me dos que falaram as outras pessoas adultas a qual também descrevi o acontecido. É sombração, disseram.
Quando estudava no seminário, em são Carlos, os padres a qual contei sobre o acontecimento, foram unânimes em explicar que esse fenômeno pode ter ocorrido sim, mas que teria sido criado pela minha mente, fruto do medo e de tantas história desse tipo que tínhamos em mente naquela época e aceita como verdade. A dificuldade de aceitar essa tese, é que não só eu vi a carrocinha, os burrinhos e os homenzinhos. Meu amigo Paulo Bueno também viu.
Esse acontecimento permanece vivo em minhas lembranças. Hoje tenho comigo a certeza de que aquele episódio foi real. Mas minha razão não encontra explicação lógica para esse tipo de acontecimento.
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